Análise: Inglaterra x Noruega e Argentina x Suíça - Copa do Mundo 2026
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Análise: Inglaterra x Noruega
Em um confronto tenso e de muita paciência, a Inglaterra garantiu vaga nas semifinais da Copa do Mundo ao superar a Noruega na prorrogação. A seleção inglesa mostrou resiliência e maturidade tática para reverter um cenário adverso, eliminando um adversário muito organizado defensivamente e extremamente letal nas transições.
Para o duelo, a Inglaterra adotou o 4-2-3-1, buscando ditar o ritmo pela posse de bola. A formação baseou-se em uma linha de três meias municiando o ataque, com Jude Bellingham atuando centralizado e com liberdade de infiltração. Do outro lado, a Noruega, no 4-3-3, exigiu adaptações mútuas: a Inglaterra precisou de concentração máxima na retaguarda para anular Haaland, enquanto a Noruega viu Ødegaard recuar constantemente para organizar o time da base.
Primeiro Tempo: Posse Estéril e o Recuo do Construtor
O jogo começou morno. A Inglaterra assumiu a iniciativa e acumulou muita posse de bola, mas esbarrou na dificuldade de infiltrar e gerar perigo real. Essa dinâmica de “controle inofensivo” se repetiu por vários momentos, com os ingleses dominando territorialmente, mas pecando na penetração contra um sistema defensivo bem postado.
Como ilustrado na Figura 1, o grande volume de passes evidencia a dificuldade inglesa em romper linhas. É possível visualizar a posse em formato de “U”, indicando ciclos de ponta a ponta com problemas de infiltração nas zonas de finalização.
Do outro lado, a Noruega tentava acionar o ataque sob pressão. Repetindo o padrão visto contra Brasil e Costa do Marfim, Martin Ødegaard foi forçado a descer da sua posição de meia para atuar quase como um volante, ajudando os zagueiros da Noruega na saída de bola. A Figura 2 comprova o camisa 10 atuando em uma posição próxima a de um volante construtor. Esse recuo qualificou a saída de bola no primeiro terço, mas inevitavelmente o afastou das zonas de assistência.
Apesar de ter menos a bola, a Noruega foi letal. O primeiro gol foi uma verdadeira pintura, com um chute de Schjelderup que surpreendeu o goleiro Pickford. A Figura 3 detalha a transição vertical rápida — iniciada com Ødegaard conduzindo da intermediária — e demonstra a capacidade norueguesa de, em seus melhores momentos, punir a defesa adversária em poucos toques e muito espaço.
Se no ataque a Inglaterra esbarrou na inoperância, na defesa o plano foi irretocável: a proeza de anular Erling Haaland por completo. O centroavante foi tão vigiado que saiu na prorrogação, sem impactar o duelo de forma significativa (especialmente comparando com a sua atuação contra o Brasil). A rede de passes da Noruega já é um exemplo visual disso, mostrando o camisa 9 isolado. Graças à concentração do setor defensivo inglês, o artilheiro não conseguiu encaixar o seu jogo, sem ser capaz de atuar nem em espaços curtos, e nem com espaço para correr em velocidade.
A resposta inglesa ao revés sofrido foi imediata e demonstrou a força mental da equipe. Poucos minutos após ver a Noruega abrir o placar, a Inglaterra finalmente conseguiu quebrar a monotonia de sua posse de bola estéril e encontrar a brecha necessária para infiltrar na compacta defesa nórdica. Rompendo o bloqueio adversário com precisão, a seleção traduziu seu alto volume de jogo em uma infiltração letal para buscar o empate ainda na reta final do primeiro tempo.
A Figura 4 mapeia justamente a construção dessa jogada que culminou no gol de Bellingham. A trama coletiva resultou em uma infiltração eficaz, resolvendo naquele momento o problema de letalidade e o excesso de passes laterais em formato de “U” que vinham travando a equipe.
Segundo Tempo e a Tensão na Prorrogação
O retorno do intervalo apresentou fortes alternâncias de domínio. Longe de se retrair após ceder o empate, a Noruega encontrou fôlego para incomodar em diversas janelas com picos de pressão e volume, impedindo que a Inglaterra estabelecesse um cerco contínuo.
Na prorrogação, o rigor tático e físico foi testado ao limite. O tempo extra virou uma gangorra: os ingleses foram mais incisivos e acumularam ímpeto na primeira metade, marcando o gol da vitória logo no início do primeiro tempo da prorrogação, novamente com Bellingham. Em desvantagem, a Noruega respondeu com investidas agudas nos 15 minutos finais. Foi nesse cenário de exaustão franca que a resiliência coletiva inglesa falou mais alto para segurar o resultado.
Conclusão
A partida ilustrou o clássico embate entre o controle de posse inglês e a verticalidade adaptativa da Noruega. A Inglaterra avança com o enorme mérito defensivo de ter anulado o atacante mais letal do torneio, mas precisará traduzir seu volume de bola em chances mais diretas se quiser o título mundial. A Noruega, por sua vez, despede-se mostrando excelente organização, resiliência e adaptações táticas interessantes, como as descidas do seu camisa 10 para ajudar os zagueiros na saída de bola.
Análise: Argentina 3x1 Suíça
Introdução
Em um confronto equilibrado, a Argentina garantiu a última vaga para as semifinais da Copa do Mundo ao vencer a Suíça por 3x1 após a prorrogação. Mais uma vez a seleção argentina mostrou resiliência e soube aproveitar as vantagens do contexto do jogo para eliminar um adversário que fez uma grande competição, equilibrado em todas as fases do jogo e muito forte fisicamente.
Pelo segundo jogo consecutivo, “La Scaloneta” iniciou a partida no 4-1-3-2 com Paredes fazendo a função de articulador no lugar de Thiago Almada. Enquanto essa mudança sugere uma postura mais defensiva, o que temos visto é que a entrada do volante deixa a equipe mais equilibrada e libera os laterais e meio-campistas argentinos a participar mais do jogo, deixando a equipe mais ofensiva.
Resumo da Partida e Análise Tática
Primeiro Tempo: Gol rápido e adaptação tática
O jogo iniciou com as duas equipes se estudando e buscando o controle da partida, mas logo aos 10 minutos a Argentina abriu o placar com Mac Allister de cabeça em escanteio batido por Lionel Messi. Após o gol da Argentina, a Suíça tentou controlar mais as ações da partida com a posse da bola, buscando construir jogo com triangulações pelos lados, especialmente pelo lado direito e circulando pelo meio com Xhaka. O camisa 10 tentava passes diferentes ou associações por dentro, como deixa claro a rede de passes da equipe.
Já a Argentina recuou e passou a jogar em transição, buscando sempre recuperar a bola em seu campo de defesa e procurando o Messi que ficava avançado, a ideia era simples, o camisa 10 recebia a bola, protegia e avançava enquanto seus companheiros chegavam em velocidade para receber o passe e finalizar as jogadas. A rede de passes argentina também evidencia o comportamento estratégico da equipe.
Nenhuma das equipes teve sucesso em suas estratégias e o primeiro tempo terminou morno, sem muitas oportunidades para ambos os lados após o gol da Argentina.
Segundo Tempo: Blitz suíça e expulsão de Embolo
As equipes voltaram ao segundo tempo com as mesmas ideias de jogo da primeira etapa, porém com mais objetividade e com ataques mais rápidos, o que deixou o jogo mais aberto e com mais oportunidades para ambos os lados. A Argentina chegou primeiro em dois contra-ataques, com finalizações de Molina e Alvarez.
Contudo, a seleção da Suíça insistiu, tomando o controle da partida e iniciando sua ofensiva. Primeiro, Embolo recebeu uma bola enfiada e deixou Ndoye de cara para o gol, a demora para finalizar deu a oportunidade para Licha Martinez cobrir o espaço e bloquear o chute. Depois disso, a Suíça teve mais uma oportunidade com uma roubada de bola pressionando a saída de bola da Argentina, com uma rápida troca de passes e virada de lado, mas que não terminou em uma finalização. A Suíça foi paciente e tocava a bola para encontrar espaços e assim saiu o gol, em mais uma troca de passes, dessa vez pelo lado esquerdo, Ndoye tabelou com Rodriguez e dessa vez finalizou sem hesitação para empatar a partida.
A Suíça tinha o controle da partida, mas foi perdido após uma simulação de falta do jogador Embolo, que, após intervenção do VAR, recebe o segundo cartão amarelo e é expulso.
Scaloni utilizou a pausa para hidratação para organizar sua equipe com a vantagem de um jogador, e a Suíça mudou seu esquema para um 5-3-1. A formação se mostrou eficiente em situações de desvantagem numérica, sendo adotada por seleções como a Inglaterra, que utilizou contra o México nas oitavas, por exemplo.
A Argentina tentava pressionar, mas, com os jogadores já cansados, encontrava dificuldades em criar oportunidades, recorrendo à genialidade de Messi, que quase acertou um chute de direita. Em outro lance, Kobel faz uma defesa incrível na cabeçada de Martinez — último perigo do final do tempo regulamentar.
Prorrogação: A busca incessante pelo gol
Buscando aproveitar a vantagem numérica e liquidar a partida na prorrogação, a Argentina fez alterações que deixaram a equipe completamente ofensiva. Mesmo assim, a equipe ainda tinha dificuldades de infiltrar o bloco baixo suíço. Desse modo, os sul-americanos passaram a tentar cruzamentos e chutes de fora da área, até que no segundo tempo da prorrogação, Alvarez conseguiu acertar um belo chute no gol, não dando chance alguma de defesa para Kobel.
A Suíça brigou para empatar a partida, mas cansada e com um jogador a menos, não conseguiu criar perigo algum. E em mais um contra-ataque argentino, Lautaro Martinez liquidou a partida ao marcar um gol — garantindo a classificação argentina.
Conclusão
A atual campeã do mundo apresentou dificuldades em mais um confronto, mas novamente se mostrou capaz de encontrar formas diferentes de jogar e ganhar. Eles seguem agora para um duelo contra a Inglaterra, um adversário que a seleção argentina já encontrou em outras oportunidades e tem uma rivalidade por conta da famosa atuação de Maradona na copa de 86. Os ingleses buscarão revanche e a Argentina precisará encontrar uma forma de ser mais intensa e física do que tem sido nos confrontos de mata-mata.
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